‘O inferno são os outros.’
Jean-Paul Sartre
“Peguei o Chivas, coloquei uma dose dupla com gelo, dei alguns goles seguidos e liguei o som, que já estava carregado com um CD. Quando dei o play, começou a tocar The great pretender. Fiquei curtindo a música imaginando como seria tomar banho junto com o Renato. O barulho de água do chuveiro, a música, o uísque… a minha imaginação me deixou excitado.
Confesso que, pela primeira vez, não pensei muito e fui até o banheiro. Renato não estava lá, ele já tinha ido para o quarto.
Voltei para a sala, coloquei mais uísque no copo e fui direto ao quarto dele. Fiquei parado na porta, só observando aquele corpo maravilhoso. Ele estava apenas com uma toalha na cintura, procurando roupa na cômoda, quando falei:
Você quer um pouco de uísque?
Eu nem o vi entrar, Marcus. Quero um gole, sim.
Ele ainda nem tinha levado o copo à boca, quando eu disse:
Você é um cara muito bonito, Renato.
Sem levar as minhas palavras a sério, ele falou:
Você acha mesmo, Marcus?
Sorri e perguntei a ele:
Você me daria um beijo?
Se você perguntar de novo, eu prometo pensar no assunto.
Renato só percebeu que não era brincadeira, quando me aproximei dele e com a minha mão direita comecei a alisar suavemente o seu peito.
Visivelmente abalado, ele falou:
O que você está fazendo, Marcus? Você está louco?
Completamente.
Daí para frente, e para minha surpresa, ele não falou mais nada e, de olhos fechados, deixou que eu prosseguisse com o meu sonho.
Que sensação incrível eu estava sentindo!
Me aproximei mais ainda dele e comecei a dar beijos muito curtos e suaves no seu peito. Que tesão!
Minha boca mal encostava na sua pele, acho até que ele sentia mais o calor da minha respiração sobre os seus pêlos do que o toque da minha boca.
Esse foi um dos melhores momentos da minha vida, tudo parecia mágico.
Fiz com que se deitasse no chão do quarto e beijei cada parte do seu corpo, a começar pelos pés, que sempre me deram muito, mas muito tesão.
Por vezes, eu não acreditava no que estava acontecendo, apesar de o Renato continuar imóvel e de olhos fechados. Eu tinha aquele corpo só para mim. Era tanta coisa a fazer, tantos desejos acumulados nos últimos dois anos, que em alguns momentos eu me perdia.
Fiz com que ele ficasse de bruços. Que bundinha. Comecei então a massageá-la suavemente, para só depois beijá-la de todos os jeitos que o meu tesão pedia.
Novamente comecei a correr com a boca pelo seu corpo, deixando saliva em cada pedacinho daquele território que, naquele momento, era só meu.
Eu lambia suas coxas, quando, num movimento brusco, ele me puxou e enfiou seu pinto na minha boca. O gozo foi quase imediato. E, pela primeira vez, eu sentia o que tantas vezes havia imaginado, que era Renato esporrando na minha boca.
Eu não sei se o desejo faz com que as coisas se tornam atraentes, mas sei que gostei muito de sentir aquele líquido quente e meio salgado escorrendo pela minha garganta.
Eu tinha vontade de fazer mais um milhão de coisas, mas percebi que ele estava sem-graça, pois, após gozar, se virou de bruços e lá ficou com a cabeça escondida entre os braços, como a se proteger daquela situação.
Na verdade, ele não estava preparado para encarar tudo aquilo que havia rolado entre nós e, respeitando a sua atitude, resolvi ir embora.
Saí da casa dele me sentindo o homem mais feliz do mundo!
Cheguei em casa tão contente comigo mesmo, que o sorriso já era uma expressão permanente no meu rosto. Abri a porta, e de lá mesmo cumprimentei meus pais que estava na sala. Minha mãe logo percebeu que eu estava diferente e perguntou:
Você está bem, filho?
Estou ótimo, mãe. Se melhorar estraga.
Foi tão positiva a minha resposta, que meu pai falou:
O que aconteceu de tão especial nesta noite, Marcus?
Nada, pai. É que hoje eu estou me sentindo muito bem.
Sorrindo, ele olhou para minha mãe e me perguntou:
Qual o nome dela, filho?
Por Deus, que eu quase disse Renato, mas me contive e perguntei a ele:
O nome dela, pai?
É, o nome dela?
Eu não sei, pai.
Como não sabe?
Eu me esqueci de perguntar.”
Trecho do livro “O 3º Travesseiro” de Nelson Luiz de Carvalho
11/10/2007 às 17:49 |
Cara, que texto! Amei! Ele diz tanto em tão pouco…
Sabe amor, lendo este texto, me lembrei bem a primeira vez que saí com uma menina, que cheguei em casa “diferente”, feliz, mas meio constrangida, como se tivesse cometido o mais delicioso e proibido pecado. Lembro que minha mãe conversava pelos cotovelos, e eu só pensando no toque e no gosto dela… Caramba, veio tudo muito nítido agora!
Beijos!